sábado, 3 de maio de 2014
entreaberta II
se desaparecer,
é só
coincidência.
é só.
no fim
que não
se vê.
os pés
que descalços
vão,
seguem vãos
o encalço.
da sombra
que partiu,
inexistente
em sua própria
inexistência.
insistente,
persistem
as mãos
que afagam
o próprio
coração.
de longe vem,
entreaberto,
com olhos
de alvo certo,
o grito
da coragem,
mas o canto
tão mais alto,
cerra os punhos
a favor
da covardia.
afoga-me
a madrugada
que aloja
rumo
no peito-espaço
que já não
pertence a mim.
mas pertenceu
havia instantes atrás,
ainda,
e arrancou-me
carne sem
cessar.
tomo tento,
sinto o vento,
corro mar.
que saudade!
entreaberta,
assim,
nem
parece faltar
no caminho
esperança.
mas
de tão mentira,
já nem se tira
a venda
que persegue
os olhos
tão sós
que se distanciam
de sua própria cor,
seja como for.
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