terça-feira, 22 de abril de 2014
infindo
mas deixa pra depois,
se é mesmo só depois
que vem me carregar
o vento que não há aqui.
não sinto o cheiro das vozes,
se já não as conheço mais.
se de tão longe existe,
ouço gritar em meu peito
a vontade de ser
igualmente longe.
e estou a contar,
pois,
que ainda no tardar da descoberta,
carrego em minhas mãos
pronta solução
pra afagar o duro chão
cujo meus pés beijam
por falta de mar.
e resta pouco a ser,
e a dizer,
e a fazer
se ainda os desencontros
são tantos
que ainda que impulsione
meu corpo num só tranco,
não há jeito
nem vírgula,
curva
ou desculpa
que faça voltar
antes de desgastar
as fotos desrecordadas
e desacordadas
há tanto.
e ando a contar,
pois,
que mesmo em fins,
desconcertos por recomeços,
recomeço a viagem,
tomo em meus olhos a coragem.
e sigo.
cuido dos delicados dedos
que seguram os meus
e sigo.
cuido das descuidadas canções
que me são
muito mais que eu.
e trago nas pernas,
a cada espaço entre os passos,
a esperança de que
me reste para contar,
pois,
que finalmente me foi possível
zarpar.
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