dito que é
onde encontro
o deus da minha
poesia,
suavizo o tato
dos meus pés
descalços
na areia.
o chamado
pede pressa.
não hesito.
despeço-me
do peso
nos ombros
e peço
perdão.
meu rumo
ruma contra
a corrente.
não
pertenço
aqui.
suplico às
ondas que
me carreguem.
longe.
e tão perto
do que
sinto ser tão
meu.
trago vento,
descarrego
dos pulmões
todo o tempo.
pra soprar
a vela
mar adentro,
que meu coração
encontra-se pronto
pra zarpar
e nunca mais
ancorar.
se não há,
entre estas paredes,
qualquer
vão espaço
que pertença
ao oceano,
então este
não
sou
eu.
se desaparecer,
é só
coincidência.
é só.
no fim
que não
se vê.
os pés
que descalços
vão,
seguem vãos
o encalço.
da sombra
que partiu,
inexistente
em sua própria
inexistência.
insistente,
persistem
as mãos
que afagam
o próprio
coração.
de longe vem,
entreaberto,
com olhos
de alvo certo,
o grito
da coragem,
mas o canto
tão mais alto,
cerra os punhos
a favor
da covardia.
afoga-me
a madrugada
que aloja
rumo
no peito-espaço
que já não
pertence a mim.
mas pertenceu
havia instantes atrás,
ainda,
e arrancou-me
carne sem
cessar.
tomo tento,
sinto o vento,
corro mar.
que saudade!
entreaberta,
assim,
nem
parece faltar
no caminho
esperança.
mas
de tão mentira,
já nem se tira
a venda
que persegue
os olhos
tão sós
que se distanciam
de sua própria cor,
seja como for.
entre
os entregostos
do teu beijo
solta alma,
corpo solto.
me deixo,
me vejo.
tanto tempo,
tanto tempo...
se não
me basta
pra dançar
lado a lado
a ter aqui
cheiro teu,
danço só
e tenho
meus dedos
a procurar
tua sombra:
entrevejo
nossa valsa,
pura calma
que me acalma.
entreaberta
a porta
infinita
da liberdade
de ser tua
saudade,
vontade,
sem estar
pela metade
pra morrer
na eternidade.