domingo, 4 de maio de 2014

oração



dito que é 
onde encontro 
o deus da minha 
poesia, 
suavizo o tato 
dos meus pés 
descalços 
na areia. 
o chamado 
pede pressa. 
não hesito. 
despeço-me 
do peso
nos ombros 
e peço 
perdão. 
meu rumo 
ruma contra 
a corrente. 
não 
pertenço 
aqui. 
suplico às 
ondas que 
me carreguem. 
longe. 
e tão perto 
do que 
sinto ser tão 
meu. 
trago vento, 
descarrego 
dos pulmões 
todo o tempo. 
pra soprar 
a vela 
mar adentro, 
que meu coração 
encontra-se pronto
pra zarpar 
e nunca mais 
ancorar. 
se não há,
entre estas paredes, 
qualquer 
vão espaço 
que pertença 
ao oceano, 
então este 
não 
sou 
eu. 

sábado, 3 de maio de 2014

entreaberta II



se desaparecer,
é só
coincidência.
é só.
no fim
que não
se vê.
os pés
que descalços
vão,
seguem vãos
o encalço.
da sombra
que partiu,
inexistente
em sua própria
inexistência.
insistente,
persistem
as mãos
que afagam
o próprio
coração.
de longe vem,
entreaberto,
com olhos
de alvo certo,
o grito
da coragem,
mas o canto
tão mais alto,
cerra os punhos
a favor
da covardia.
afoga-me
a madrugada
que aloja
rumo
no peito-espaço
que já não
pertence a mim.
mas pertenceu
havia instantes atrás,
ainda,
e arrancou-me
carne sem
cessar.
tomo tento,
sinto o vento,
corro mar.
que saudade!
entreaberta,
assim,
nem
parece faltar
no caminho
esperança.
mas
de tão mentira,
já nem se tira
a venda
que persegue
os olhos
tão sós
que se distanciam
de sua própria cor,
seja como for.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

entreaberta



entre
os entregostos
do teu beijo
solta alma,
corpo solto.
me deixo,
me vejo.
tanto tempo,
tanto tempo...
se não
me basta
pra dançar
lado a lado
a ter aqui
cheiro teu,
danço só
e tenho
meus dedos
a procurar
tua sombra:
entrevejo
nossa valsa,
pura calma
que me acalma.
entreaberta
a porta
infinita
da liberdade
de ser tua
saudade,
vontade,
sem estar
pela metade
pra morrer
na eternidade.