domingo, 21 de setembro de 2014

sê a(mar):


penso se existo
e resisto.
tão pouco sorri
o sinal
dos meus passos
no chão.
já não sei mais.
o oceano
que navego
e sou
me afogou
e partiu.
então
não
sou
mais.
mas resisto,
se existo.
e insisto.

domingo, 1 de junho de 2014

carta aberta à delilah (canção em versos)



meus olhos desenham os teus:
te filmo.
e entre os embaraçosos passos
de nossos corações
que caminham no mesmo compasso:
meu horizonte é você.
e teus beijos tristes,
tão cheios de incertezas:
afloram a certeza em mim.
e meu lar é teu abraço:
te vivo.
se é teu sorriso
que me esquiva da dor:
como eu poderia
negar teu amor?
quero só pra mim
teus beijos tristes
até que não haja mais
incerteza em teu gosto.

domingo, 4 de maio de 2014

oração



dito que é 
onde encontro 
o deus da minha 
poesia, 
suavizo o tato 
dos meus pés 
descalços 
na areia. 
o chamado 
pede pressa. 
não hesito. 
despeço-me 
do peso
nos ombros 
e peço 
perdão. 
meu rumo 
ruma contra 
a corrente. 
não 
pertenço 
aqui. 
suplico às 
ondas que 
me carreguem. 
longe. 
e tão perto 
do que 
sinto ser tão 
meu. 
trago vento, 
descarrego 
dos pulmões 
todo o tempo. 
pra soprar 
a vela 
mar adentro, 
que meu coração 
encontra-se pronto
pra zarpar 
e nunca mais 
ancorar. 
se não há,
entre estas paredes, 
qualquer 
vão espaço 
que pertença 
ao oceano, 
então este 
não 
sou 
eu. 

sábado, 3 de maio de 2014

entreaberta II



se desaparecer,
é só
coincidência.
é só.
no fim
que não
se vê.
os pés
que descalços
vão,
seguem vãos
o encalço.
da sombra
que partiu,
inexistente
em sua própria
inexistência.
insistente,
persistem
as mãos
que afagam
o próprio
coração.
de longe vem,
entreaberto,
com olhos
de alvo certo,
o grito
da coragem,
mas o canto
tão mais alto,
cerra os punhos
a favor
da covardia.
afoga-me
a madrugada
que aloja
rumo
no peito-espaço
que já não
pertence a mim.
mas pertenceu
havia instantes atrás,
ainda,
e arrancou-me
carne sem
cessar.
tomo tento,
sinto o vento,
corro mar.
que saudade!
entreaberta,
assim,
nem
parece faltar
no caminho
esperança.
mas
de tão mentira,
já nem se tira
a venda
que persegue
os olhos
tão sós
que se distanciam
de sua própria cor,
seja como for.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

entreaberta



entre
os entregostos
do teu beijo
solta alma,
corpo solto.
me deixo,
me vejo.
tanto tempo,
tanto tempo...
se não
me basta
pra dançar
lado a lado
a ter aqui
cheiro teu,
danço só
e tenho
meus dedos
a procurar
tua sombra:
entrevejo
nossa valsa,
pura calma
que me acalma.
entreaberta
a porta
infinita
da liberdade
de ser tua
saudade,
vontade,
sem estar
pela metade
pra morrer
na eternidade.


terça-feira, 22 de abril de 2014

infindo



mas deixa pra depois,
se é mesmo só depois
que vem me carregar
o vento que não há aqui.
não sinto o cheiro das vozes,
se já não as conheço mais.
se de tão longe existe,
ouço gritar em meu peito
a vontade de ser
igualmente longe.
e estou a contar,
pois,
que ainda no tardar da descoberta,
carrego em minhas mãos
pronta solução
pra afagar o duro chão
cujo meus pés beijam
por falta de mar.

e resta pouco a ser,
e a dizer,
e a fazer
se ainda os desencontros
são tantos
que ainda que impulsione
meu corpo num só tranco,
não há jeito
nem vírgula,
curva
ou desculpa
que faça voltar
antes de desgastar
as fotos desrecordadas
e desacordadas
há tanto.

e ando a contar,
pois,
que mesmo em fins,
desconcertos por recomeços,
recomeço a viagem,
tomo em meus olhos a coragem.
e sigo.
cuido dos delicados dedos
que seguram os meus
e sigo.
cuido das descuidadas canções
que me são
muito mais que eu.
e trago nas pernas,
a cada espaço entre os passos,
a esperança de que
me reste para contar,
pois,
que finalmente me foi possível
zarpar.

segunda-feira, 10 de março de 2014

pra abafar o grito de um peito surdo que esqueceu quão nulo é o desprazer da insônia



começa com melancolia.
perdoa,
brisa.
é tão pouco.
e de tão pouco
se fez tanto.
mas tanto faz,
não traz sentido algum.
é só pra matar
tempo.
e se pulo
não é pra morrer.
é o prazer
de ter em mãos
espaço imundo
de lembranças
e o gosto amargo
de poluição entre os dentes.
perdoa,
domingo.
fugi de mim.
e já nem sei mais.
não escrevo mais.
e tanto faz,
porque também não descrevo mais.
e isso
é uma vergonha.
vergonha.
tão insensato o momento.
é... incerto.
mas ninguém disse;
eu não ouvi.
não ouvi ninguém dizer
que haveria de ter
qualquer insignificante
escasso abraço
quando a chuva cair.
e agora o carnaval acabou.
e os olhos de quem não esteve aqui pra ver,
já foram antecipados
sobre a notícia
de que a carne que tenho em mim,
e arremesso contra o muro,
é ilusão,
no vão instante,
distante
de solidão
e ao mesmo tempo
ausente de companhia.
já foi.
e eu nem vi.
estes tatos que não me pertencem mais.
estes traços que desconheço.
não termina.
se o desconforto me tira a visão,
não vejo o fim.